Tour du Mont Blanc - Paulo Miranda

TOUR DU MONT-BLANC França-Itália-Suíça setembro.2015

Tour du Mont Blanc - Paulo Miranda

TOUR DU MONT-BLANC França-Itália-Suíça set.2015

Col de la Forclaz » Tré-le-Champ

9º dia: 10/09/2015

Ao iniciar o nono dia, não tinha como imaginar que esse seria um grande dia! E o mais interessante é que foi fruto do esquecimento de uma coisa básica: estudar o mapa da próxima etapa antes de iniciá-la. Cruzei a estrada em frente ao hotel e fui em direção à Fênetre d'Arpette. Desde o começo, a trilha acompanha o bisse du Trient, um canal de irrigação que aproveita a água do Glacier du Trient.

Logo no início, passei por uma placa que indicava, à direita, o caminho para a vila de Trient, lá embaixo no fundo do vale. Por não haver indicação para o Col de Balme, continuei em frente. Distraído com a paisagem, com os detalhes do canal de irrigação, com as encostas à esquerda prestes a desmoronar, com o vale lá embaixo, as montanhas em volta etc, fui avançando. E à medida que avançava, ficava pra trás a encosta do outro lado do vale por onde a TMB, após passar por Trient, sobe em direção ao Col de Balme. E nada de placa a apontar a direção para o colo. Enfim, resolvi dar uma olhada no guia. Não acreditei quando vi que a trilha para o Col de Balme era exatamente aquela lá trás, bem no início da caminhada, com uma placa a assinalar 'Trient'. N'est pas possible! Quando estou pra voltar, encontro três senhores de Genebra com quem converso pra tirar a dúvida. E aí veio a grande surpresa do dia: eles iriam para o Col de Balme através da variante pelo Refúgio les Grands! A variante pelo les Grands! Lógico!! Tinha me esquecido desse caminho alternativo.

Essa variante evita a descida até Trient (200 metros de desnível), o que significa que o caminhante tem que subir tudo de novo do outro lado. Pelo les Grands, anda-se por uns 45 minutos na mesma altitude do Col de la Forclaz, em direção à Fênetre d'Arpette, até o Chalet du Glacier, onde se cruza o rio Trient e inicia-se a subida até aquele refúgio. Além dessa imensa vantagem, ainda tive, para o resto do dia, a companhia de três pessoas extremamente simpáticas: Bernard, Jean-Claude e Claude. Eles saíram de Genebra naquele mesmo dia só pra atravessar o Col de Balme.

E lá fomos nós subindo a encosta e jogando conversa fora. Chegamos no Refúgio les Grands (2.113 metros) pouco depois das 11:00, onde paramos para um breve lanche. A localização desse refúgio é fantástica, com ampla vista para os Glaciares du Trient e les Grands, além de toda a escarpada crista onde se encontra a Fênetre d'Arpette.

Eram um pouco mais de onze e meia quando retomamos a caminhada. Do refúgio até o Col de Balme a TMB permanece sempre na mesma altitude. Apesar disso, é um trecho bem longo e sinuoso por conta de inúmeras cristas, o que aumenta a sensação de distância. Mas depois de contornar uma crista e assumir o sentido oeste, é, também, um longo mirante de onde se vê o Col de la Forclaz à direita, o Col de Balme à esquerda e, entre eles, todo o vale de Trient e a TMB oficial, uns duzentos metros verticais abaixo.

Chegamos ao Col de Balme (2.191 metros) em torno de quinze pras duas. Neste momento ventava muito forte, o que nos obrigou a procurar um lugar protegido para lanchar. E que lanche! Não pelo cardápio em si mas pelo fato de ter sido compartilhado por pessoas que mal se conheciam.

Começamos a descer em direção a Tré-le-Champ em torno das duas e meia. Como o tempo ameaçava fechar, abdiquei do caminho oficial através da Aiguilette des Posettes em favor da variante que desce direto a Le Tour. Com isso, acompanhei os três companheiros de trilha até Charamillon, onde pegariam o teleférico pra Le Tour. Depois de uma fraternal despedida, segui minha ladeira abaixo, passei por Le Tour, depois Montroc e, finalmente, Tré-le-Champ, onde cheguei debaixo de uma leve chuva.

Fiquei no famoso Auberge la Boerne: instalado num antigo estábulo, é uma atração em si. Eles conseguiram colocar cama em qualquer buraco ou reentrância da construção. Pra se ter uma ideia, o acesso ao quarto onde dormi era feito por um pequeno corredor, de um metro e meio de comprimento, no qual havia uma porta de armário (pensava eu) à direita. Abri com a intenção de colocar minha mochila lá dentro e vi que o armário era, na realidade, um quarto pra duas pessoas, onde se entra engatinhando.

Depois de tudo arrumado e pra manter a tradição, sentei pra tomar uma cerveja à espera do jantar. Aliás, esse foi o melhor jantar de toda a TMB: pelas pessoas, pelo papo, pela descontração e pela comida, que estava tão boa que o cozinheiro, ao chegar no refeitório por um momento, foi aplaudido. Merecido.

Estatísticas (GPS)

local hora km
Col de la Forclaz 8:11
14,9

Ref. les Grands 11:10/11:42 *
Col de Balme 13:44/14:29 *
Tré-le-Champ 16:35

* chegada/partida

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