Tour du Mont Blanc - Paulo Miranda

TOUR DU MONT-BLANC França-Itália-Suíça setembro.2015

Tour du Mont Blanc - Paulo Miranda

TOUR DU MONT-BLANC França-Itália-Suíça set.2015

Refúgio de la Croix du Bonhomme » Refúgio des Mottets

3º dia: 04/09/2015

O terceiro dia amanheceu com o céu completamente sem nuvens. Levantei bem cedo e, antes do café, fui conhecer o Col de la Croix-du-Bonhomme (2.479 metros). Às 7, voltei ao refúgio para o café, depois do qual, já com a mochila arrumada e deixada num canto do refeitório, parti para um bate-volta ao Col des Fours e Tête Nord des Fours. Por aquele colo passa uma variante da TMB que desce direto à Ville de Glaciers, já bem próximo ao Refúgio des Mottets. Esse é o caminho "mais curto" pra quem vai do Refúgio du Bohomme até o da Elisabetta, na Itália, pois economiza as duas horas de descida até Les Chapieux e em torno de uma hora e meia de subida até a Ville de Glaciers. Eu preferi visitar o Col des Fours e a Tête Nord des Fours em um bate-volta e seguir até o Refúgio des Mottets, via Les Chapieux: com isso me ative ao traçado oficial da TMB.

A trilha para o Col des Fours (2.665 metros) parte do Col de la Croix-du-Bonhomme(1), na direção norte, ao longo de uma crista que margeia o riacho Nant des Lotharets. A caminhada até o colo levou uns 30 minutos, de onde eu vi, pela primeira vez, o Monte Branco. Do colo, peguei uma trilha à esquerda e, em mais 30 minutos, cheguei ao Tête Nord des Fours (2.756 metros), distante uns 2 quilômetros do refúgio. Daquele ponto se tem uma vista privilegiada, livre de qualquer obstáculo, do Monte Branco. Há, também, uma prancha de orientação de 360°, isto é, com indicações de montanhas em todas as direções. Com o tempo limpo foi possível ver, a leste, uma boa parte do terreno percorrido no dia anterior, desde antes do Plan Jovet até o Col du Bonhomme; e à direita do maciço do Monte Branco (direção nordeste), o Matterhorn e o Monte Rosa, na Suíça.

De volta ao refúgio, peguei a mochila e comecei a longa e solitária descida até Les Chapieux: localidade esta formada por um albergue, um restaurante e uma área de camping. Cheguei à vila um pouco depois do meio-dia, sentei em uma mesa externa do restaurante e pedi um maravilhoso prato de macarrão à bolonhesa. E lá fiquei por quase hora e meia, numa preguiça homérica. Aproveitei, ainda, pra ligar para o Refúgio des Mottets pra garantir meu lugar. Por fim, eram quase 3 da tarde quando me pus a caminho por uma estrada asfaltada que sobe o estreito Vallée des Glaciers: à direita o rio; à esquerda, um morro fraturado prestes a desmoronar. Cheguei na Ville des Glaciers em torno das três e meia da tarde, onde encontrei um casal (ele, holandês; ela, suíça) que conheci na descida do Tête Nord des Fours no início do dia e que tinha descido pelo Col des Fours.

Uma hora depois, mais exatamente às 16:25, cheguei ao Refúgio des Mottets, localizado em agradável sítio quase nas cabeceiras do Val des Glaciers. Após o delicioso jantar, em que joguei conversa fora com um simpático casal dos EUA, tivemos uma pequena apresentação de realejo. Por tudo isso, mais o ambiente em si, arrisco a afirmar que o des Mottets é um dos melhores refúgios da TMB.

Estatísticas (GPS)

local hora km
Ref. du Bonhomme 8:31
2,2


Col de la Croix du Bonhomme 8:37
Col de Fours 9:03
Tête Nord des Fours 9:32
local hora km
Ref. du Bonhomme 10:28
11,5


Les Chapieux 12:21/13:45 *
La Ville des Glaciers 15:26
Ref. des Mottets 16:25

* chegada/saída

  1. Conforme o "Topo-guide FFRandonnée 028 - Tour du Mont-Blanc", (FFRandonnée, 19ª edição, 2014, pág 43), o verdadeiro Col de la Croix-du-Bonhomme se encontra uns 300 metros ao sul do refúgio, conforme mostrado na carta topográfica 3531 ET do Institut Geographique National (IGN). Porém, a colocação de um tóten no falso colo antes da Segunda Guerra Mundial criou o hábito de se considerá-lo como tal.

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