Tour du Mont Blanc - Paulo Miranda

TOUR DU MONT-BLANC França-Itália-Suíça setembro.2015

Tour du Mont Blanc - Paulo Miranda

TOUR DU MONT-BLANC França-Itália-Suíça set.2015

Foto aérea do maciço do Mont Blanc, com o traçado da TMB.

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Uma trilha em torno da história

A fronteira tríplice entre França, Itália e Suíça é marcada pelo maciço do Monte Branco (em francês, Mont Blanc), em torno do qual se estendem os vales Arve, Montjoie, des Glaciers, Veni, os dois Ferret (um italiano e outro suíço) e o Vallée du Trient. São esses sete vales, conectados por meio de vários colos, ou passos (passagens elevadas entre as montanhas), e tendo como pano de fundo dezenas de geleiras e quase 400 picos, muitos ultrapassando a barreira dos 4.000 metros de altitude, que servem de cenário para uma das mais clássicas caminhadas de longa distância do mundo: a Tour du Mont-Blanc (TMB).

De acordo com a Fédération Française da la Randonée Pédestre (FFRandonnée), a TMB se insere na categoria Grande Randonnée (GR)(1), composta por trilhas de longa distância para as quais são necessários vários dias de caminhada para percorrê-las integralmente: no caso da TMB, seus 170 km através das paisagens alpinas francesas, italianas e suíças em torno do Monte Branco são completados num prazo que varia de 7 a 12 dias.

Por ser um circuito, o início da caminhada pode ser a partir de vários pontos, como, por exemplo, a cidade italiana de Courmayeur (ligada a Chamonix pelo túnel sob o Monte Branco) ou a suíça Champex. Para os não europeus, contudo, a cidade francesa de Les Houches é a melhor opção de ponto de partida devido à proximidade com a cidade suíça de Genebra ou à facilidade de acesso pelos trens da SNCF (estatal francesa de transporte ferroviário). Quanto ao sentido, a TMB é percorrida, tradicionalmente, no sentido anti-horário, independente do ponto de partida. Mas, ao se decidir por caminhar contra a corrente, isto é, no sentido horário, não é aconselhável começar naquela cidade francesa, evitando, com isso, os 1.500 metros de desnível vertical até Le Brévent (2.526 metros), privilegiado ponto de observação do Monte Branco.

Os pontos mais altos da TMB são a Fenetre d'Arpette, na Suíça, localizado a 2.671 metros de altitude e o Col de Fours, na França, a 2.665 metros. A fronteira franco-italiana é marcada pelo Col de la Seigne (2.516 metros), a ítalo-suíça pelo Grand Col Ferret (2.537 metros) e a franco-suíça pelo Col de Balme (2.191 metros)(2).

O Monte Branco, onipresente ao longo de boa parte da jornada, é a grande atração da TMB, não só por ser o topo dos Alpes mas também pelo fato de sua conquista, em 1786, marcar, oficialmente, o início do esporte conhecido como montanhismo. Porém, à medida que o(a) caminhante avança por entre os vales e colos, ele(a) se depara com outras montanhas importantes na história deste esporte como, por exemplo, o Grandes Jorasses e as Aiguilles du Drus, du Grépon, Noire e Verte: montanhas que serviram de palco para grandes escaladas protagonizadas por nomes como Albert Mummery, Edward Whymper, Alexander Burgener, Gaston Rébuffat, Lionel Terray, Hermann Buhl, Riccardo Cassin e Walter Bonatti.

Portanto, além de ser uma caminhada através de belas paisagens de montanha, percorrer a TMB é, também, uma peregrinação em torno de lugares históricos.

  1. As outras categorias de trilhas estabelecidas pela FFRandonnée são a GR de Pays, trilhas percorridas em poucos dias, e a Promenade et Randonnée (PR), trilhas que duram não mais do que 1 dia.
  2. Altitudes conforme "Topo-guide FFRandonnée 028 - Tour du Mont-Blanc", publicado pela Fédération Française de la Randonnée Pédestre (FFRandonnée).

Fonte:

  • "A History of Mountain Climbing" (Roger Frison-Roche e Sylvain Jouty, Flammarion, 1996)
  • "Tour of Mont Blanc - Complete Two-Way Trekking Guide" (Kev Reynolds, A Cicerone Guide, 2ª Edição, 2007)
  • Tour du Mont Blanc - Wikipedia

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