Jotunheimen - Paulo Miranda

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Leirvassbu » Spiterstulen

5º dia - 06/08/2017

O quinto dia (6/8) no Jotunheimen foi difícil de começar. O dia anterior já tinha sido de preguiça pois caíra, intermitentemente, ao longo de todo o dia, uma chuva fina, o que "me forçou" a perambular pelo entorno do Leirvassbu. Acrescente o fato do refúgio Leirvassbu ser bastante aconchegante e simpático, tem-se uma ideia da dificuldade que foi pra tomar a decisão de sair. Assim, e apesar da chuva, às 9:30 estava às voltas com as muitas pedras do caminho.

A trilha do Leirvassbu para o refúgio Spiterstulen contorna a margem norte do lago Leirvatnet e segue em direção ao Kyrkjeglupen, um colo repleto de lagos aos pés da encosta norte do Kyrkja, cujas águas descem na direção oeste e alimentam o lago Leirvatnet. Ao deixar os lagos pra trás, atravessei um platô - na realidade, o divisor de águas entre aqueles lagos e o vale Visdalen - e comecei a descer a encosta norte (pouco menos de 100 metros de altura) em direção às cabeceiras do vale, enquanto vislumbrava, ao fundo, a geleira Semelholstinden.

O Visdalen é uma enorme e ampla bacia hidrográfica a receber as águas de dezenas de geleiras incrustadas em ambas as encostas, o que se traduz em travessias de rios e riachos em série: a primeira, e a mais ampla, é logo a das cabeceiras, onde é impossível não meter os pés nas águas. Além disso, esse vale é extremamente monótono: ambas as encostas são formadas por uma sucessão de picos semelhantes, quase gêmeos, que dão a sensação de não sair do lugar, por mais que se caminhe. Monotonia essa agravada num dia nublado com nuvens baixas a formar um teto logo acima da sua cabeça.

Atravessei as cabeceiras por volta das 12:30 e comecei a descer o vale. Desse ponto até o Spiterstulen a trilha permanece todo o tempo na margem direita (leste) do rio. Às 16:25 parei para comer um lanche em frente ao vale do rio Tverråe, cujas encostas superiores são ocupadas por umas tantas geleiras. Neste ponto, já estava perto do refúgio particular Spiterstulen, que alcancei às 17:12.

No refúgio, me dei o luxo de ficar em um quarto individual ($$$). Depois de um bom banho e uma ótima pizza, quedei-me com um copo de cerveja a admirar a vista do Visdalen que se tinha do refeitório. No dia seguinte, a ideia era ir até o refúgio Juvasshytta, via Lom, para subir o Galdhøpiggen, a montanha mais alta do norte da Europa, pela via que atravessa a geleira Styggebrean. Existe uma via pra essa montanha a partir do Spiterstulen, para a qual se prescinde de guia; mas a trilha começa dos 1.100 metros de altitude e o cume encontra-se a 2.469 metros: são pouco mais de 1.300 metros de desnível vertical... e completamente rochoso. Pelo Juvasshytta, o desnível é de pouco mais de 400 metros.

Mas naquele fim de tarde eu queria apenas descansar, relaxar e saborear a conclusão daquela caminhada maravilhosa por entre as mais altas montanhas norueguesas. E deixei para o dia seguinte a busca de informações a respeito da ida para Juvasshytta, o que quase se tornou num desastre...

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