Jotunheimen - Paulo Miranda

paulo miranda -fotografia & viagem

 

Jotunheimen

Um dos principais seres da mitologia e do folclore nórdicos são os trolls, habitantes das montanhas e hostis aos humanos. Dentre aqueles, há os gigantes jötunn(1), cujo habitat é a região montanhosa de Jötunheimr. Baseado nesse mito, o geólogo Baltazar Mathias Keilhau (1797 - 1858) propôs, em 1820, o nome Jotunfjeldene (Montanhas dos Gigantes) para uma região montanhosa na região sul da Noruega. Mais tarde, em 1862, o nome foi alterado para Jotunheimen, ou Casa dos Gigantes, por sugestão do poeta e jornalista Aasmund Olavsson Vinje (1818 - 1870).

A fazer jus aos seus mitológicos habitantes, Jotunheimen contém, em meio a dezenas de geleiras e centenas de lagos, a grande maioria dos picos acima de 2.000 metros de altitude não só da Noruega mas de todo o norte da Europa, nos quais se incluem os dois pontos culminantes: Galdhøpiggen, com 2.469 metros de altitude, e Glittertind, com 2.465 metros de altitude(2). Acrescido do privilégio de se localizar próximo aos principais centros urbanos da Noruega, tem-se um dos principais destinos para a prática de montanhismo e caminhada da Escandinávia, onde centenas de quilômetros de trilhas - marcadas com os famosos Ts vermelhos pintados pela associação de caminhada Den Norske Turistforening (DNT) - e uma ampla rede de abrigos de montanha - privados ou mantidos por aquela associação - permitem a qualquer interessado(a) perambular por dias e dias pela região.

Em 1980 foi criado o Parque Nacional de Jotunheimen com 1.151 km2 de área, dentro dos quais se localiza a maior parte das grandes atrações da região. Além dos dois picos mais altos do país, encontram-se o lago glacial Gjende (18 km de extensão), a geleira Smørstabbreen (15 km2 de área) e a famosa trilha Bessegen, certamente a mais conhecida do país: são milhares de pessoas a percorrer, anualmente, os 14 km entre os abrigos Gjendesheim e Memurubu, cujo ponto alto é a impressionante crista homônima, um desnível vertical de 759 metros de altura a separar os lagos Gjende e Bessvatnet.

Apesar da baixa altitude, em comparação às grandes cadeias montanhosas do mundo, a localização geográfica dessa região - em torno dos 61°N, isto é, próximo ao Círculo Polar Ártico (66º 33’ 44"N) - impõe condições bem adversas, tanto em relação às estações do ano quanto ao clima. No geral, o que define o período de caminhada é o funcionamento dos abrigos, que vai de meados de Junho a meados de Setembro, fora do qual o caminhante encontrará um ambiente invernal. Mesmo assim, dependendo da quantidade de neve do inverno anterior, não é incomum que no final de Julho e até mesmo no início de Agosto ainda existam trechos de trilhas cobertos por neve. A proximidade com o oceano deixa a região sob a influência da umidade trazida pela Corrente do Golfo, o que, no verão, se reflete em alta nebulosidade e temperaturas relativamente amenas. Por outro lado, com o Círculo Polar Ártico a poucos graus de latitude ao norte, o(a) caminhante tem, nos meses de verão, a grande vantagem da companhia do sol por quase 24 horas do dia.

  1. Sinônimos ou variações: jotun, jotne e jotnane.
  2. Em relação a esse último, a altitude varia de acordo com a espessa camada de neve existente permanentemente no cume; já tendo sido, inclusive, considerado o ponto culminante da Noruega.

Copyright © Paulo Miranda -  2017